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UNIMONTES | UEMG: Deputado Gil Pereira cobra acordo firmado há dois anos pelo governo estadual

1 de março de 2018

UNIMONTES | UEMG: Deputado Gil Pereira cobra acordo firmado há dois anos pelo governo estadual

“Não podemos aceitar o que está ocorrendo com nossas universidades estaduais. Carreira estagnada, remunerações defasadas e vários professores abandonando seus cargos no Estado em busca de valorização no setor privado. Perde o professor, perde o aluno e perde o Estado em qualidade de ensino”, denunciou o deputado Gil Pereira, ao presidir reunião nesta terça-feira (27/02/18) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O parlamentar já obteve aprovação de audiência pública conjunta sobre o assunto, junto às comissões de Educação, Ciência e Tecnologia e de Assuntos Municipais e Regionalização, buscando agora urgência na sua realização.

Representantes dos professores e alunos da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) reuniram-se com deputados do Bloco de Oposição, na última terça-feira, pedindo apoio na mobilização para o cumprimento do acordo entre o governo e a categoria, homologado pela Justiça em 2016. Os professores reivindicam recomposição salarial e reestruturação da carreira dos docentes em ensino superior, prometidas pela AGE e Seplag-MG, mas que até hoje não saíram do papel.

“Temos certeza de que os 77 deputados assinarão a carta-compromisso que cria a Frente Parlamentar em Defesa da Unimontes. O passo seguinte será a realização de audiência pública conjunta para discutir e buscar soluções para o problema, junto às comissões de Educação, Ciência e Tecnologia e de Assuntos Municipais e Regionalização, com participação dos professores, alunos e representantes do governo estadual”, informou o deputado Gil Pereira.

Não é a primeira vez que a carreira dos docentes do ensino superior do Estado entra na pauta de trabalho da oposição neste ano. Os parlamentares colocaram as reivindicações dos professores como uma das prioridades para o fim do processo de obstrução iniciado no dia 6 de fevereiro, assim como o calote do governo estadual nas prefeituras.

Além do deputado Gil Pereira, participaram da reunião o líder do bloco de oposição, Gustavo Corrêa, o líder da minoria, Gustavo Valadares, os deputados Dalmo Ribeiro, Dilzon Melo e Roberto Andrade.

Evasão

Segundo o vice-presidente da Associação dos Docentes da Unimontes (Adunimontes), Gilmar dos Santos, a ausência de um plano de carreira e os baixos salários têm impactado diretamente no índice de evasão dos docentes, que está em cerca de 40%. No encontro com os deputados, Santos apresentou o documento com o pedido de criação da Frente Parlamentar em defesa da Unimontes e da Uemg. “Vamos cobrar o acordo feito em 2016. A situação hoje dos professores de ensino superior é a pior entre a de todos os professores do Estado”, afirmou ele.

De acordo com Roberto Kanitz, representante dos docentes da Uemg, na atual carreira, um professor com doutorado que ingressou na vaga de especialista no último concurso tem vencimento básico de R$ 800,00, menor do que o salário-mínimo, e algumas unidades estão até sem energia elétrica e sem internet. Ele ressaltou ainda a importância das duas universidades estaduais para Minas. “A Uemg recebe 70% de estudantes de escolas públicas. Não fossem a Uemg e a Unimontes, eles não estudariam. É muito importante que a sociedade mineira entenda isso e a gente possa fazer a defesa destas duas universidades”, afirmou. Os estudantes foram representados por Caio Lacerda, secretário do DCE da Unimontes.

Os professores da Unimontes estão em greve desde janeiro último e já há indicativo de paralisação na Uemg. Em 2016, o governo estadual fechou acordo com o sindicato que representa as duas universidades, para encerrar a greve da Unimontes naquele ano. A categoria cumpriu a palavra dada e encerrou a paralisação. Já o governo do Estado virou as costas para os professores universitários e descumpriu integralmente todos os 13 itens acordados, segundo denúncia da categoria.

Não foi feito sequer o pagamento imediato dos quinquênios e biênios em atraso e nem se manteve a mesa de discussão permanente do ensino superior. De acordo com os representantes da Unimontes e Uemg, os aprovados no concurso público de 2014 não foram nomeados conforme prometido. Também não houve nenhum movimento por parte do governo para adequar o cargo à titulação comprovada pelo professor.