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Pipas podem provocar acidentes graves: Em 2016, cerca de 280 mil consumidores ficaram sem energia em Minas

30 de junho de 2016

Nesta época do ano em que os ventos são mais intensos, as pipas invadem os céus e fazem a diversão das crianças em todas as partes do País. Contudo, essa prática tem que ser acompanhada de perto pelos pais e responsáveis para não gerar prejuízos nem trazer riscos à segurança da população. Em 2016, essa brincadeira já foi responsável por 851 ocorrências de interrupção no fornecimento de energia elétrica, que prejudicaram cerca de 280 mil consumidores, conforme levantamento da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

Somente nos primeiros cinco meses do ano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), foram registrados 372 desligamentos provocados por pipas na rede elétrica. O uso do cerol – mistura cortante feita com cola, vidro e restos de materiais condutores – é um dos principais causadores dos desligamentos, provocando o rompimento dos cabos de energia quando entra em contato com a rede elétrica. Além disso, muitos curtos-circuitos ocorrem pela tentativa de retirada de papagaios presos aos cabos.

O engenheiro eletricista da Cemig, Demetrio Venicio Aguiar, alerta que alguns procedimentos devem ser adotados para evitar riscos à segurança e interrupções no fornecimento de energia com a prática da brincadeira. “As pipas devem ser empinadas em locais abertos e afastados da rede elétrica. Jamais use fios metálicos ou cerol e, caso a pipa fique presa, não tente resgatá-la”, afirma.

Demetrio Venicio Aguiar adverte ainda sobre novidade que vem agravar os problemas e os riscos: um tipo de cabo cortante feito em escala industrial, chamado de “linha chilena”, mais refinado e com materiais mais abrasivos que o cerol. “Esse tipo de linha é muito mais cortante do que o cerol comum, e infelizmente é possível adquirir o material de origem estrangeira pelo mercado paralelo e até pela internet”, avisa o engenheiro.

O cerol e a “linha chilena” também podem causar acidentes graves às pessoas que os manipulam, além de ocasionar acidentes a terceiros, especialmente motociclistas.

 Riscos

Além dos prejuízos causados pela falta de energia, a Cemig também alerta para os riscos à segurança que a soltura de pipas pode trazer quando praticada próxima à rede elétrica. Nos últimos dois anos, foram registrados um acidente com vítima fatal e outros três com ferimentos graves no Estado.

Demetrio Venicio Aguiar conta que a maioria dos acidentes acontece quando o papagaio fica preso na rede elétrica e as crianças tentam retirá-lo utilizando materiais condutores, como pedaços de madeira ou barras metálicas. O contato com a rede elétrica pode ser fatal, além do risco de queda em função da reação involuntária causado pelo choque elétrico. Nesses casos, as consequências mais comuns são traumatismos por causa das quedas e queimaduras graves provocadas pelos choques.

O engenheiro chama a atenção ainda que o uso do cerol pode transformar uma simples linha de papagaio em material condutor e provocar choque elétrico ao entrar em contato com a rede. E mais: muitas crianças amarram as pipas com arames e fios. “São materiais altamente condutores de energia, que acabam sendo energizados quando tocam os cabos”, explica Demetrio  Venicio Aguiar.

Fonte: Cemig