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Participação de renováveis na matriz energética brasileira chega a 41,2%

9 de junho de 2016

Participação de renováveis na matriz energética brasileira chega a 41,2%

A participação das energias renováveis na matriz energética brasileira passou de 39,4% em 2014 para 41,2% no ano passado. O etanol e o bagaço de cana tiveram a maior participação entre as renováveis, com 41,1%, seguidos da energia gerada por hidrelétricas (27,5%), lenha e carvão vegetal (19,9%), biodiesel (2,5%) e eólica (1,5%). Os dados constam da Resenha Energética Brasileira de 2016, divulgada nesta segunda-feira (06/06/16) pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Ao considerar importantes os pontos do anúncio, o presidente da Comissão de Minas e Energia da ALMG, deputado Gil Pereira (PP), destaca, entretanto, que há bastante espaço a ser ocupado e necessidade de avanços mais expressivos, especialmente em relação à geração de energia elétrica a partir de fonte solar fotovoltaica: “Uma das mais versáteis fontes renováveis, a energia solar fotovoltaica representa, atualmente, apenas 0,02% da geração elétrica brasileira. Com o dobro da irradiação média de países europeus temperados, o Brasil pode aumentar a geração de energia solar cerca de 200 vezes até 2024, conforme projeção de especialistas do setor”, aponta o parlamentar.

O número de sistemas de micro e minigeração de energia solar, por exemplo, cresceu 308% no País entre 2014 e 2015, passando de 424 para 1.731 (98,6% deles fotovoltaicos). A tendência é de rápida expansão, especialmente após os aprimoramentos realizados em 2015 na Resolução Normativa 482/2012, que regulamenta a chamada geração distribuída (GD). A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao MME, estima que a capacidade instalada brasileira em GD atinja 33 GWp no segmento residencial e 29 GWp no comercial até 2050. Total previsto em torno de 78 GWp, somando-se os segmentos industrial (13 GWp) e público (3 GWp).

COP 21

“É preciso intensificar as políticas de incentivo fiscal e financiamento específicas para a energia fotovoltaica, diante do cronograma do acordo sobre mudanças climáticas, fechado na COP 21 em Paris. Afinal, o Brasil comprometeu-se a reduzir a emissão de gases poluentes em 43% até 2030. Para tanto, garantiu, na geração de eletricidade, a participação de 66% de fonte hídrica, 23% de fontes renováveis eólica, solar e biomassa, 16% de etanol carburante e demais fontes derivadas da cana-de-açúcar, além do aumento de aproximadamente 10% na eficiência energética”, cita o deputado Gil Pereira.

De acordo com o MME, o indicador brasileiro, contudo, é superior ao dos países desenvolvidos, que têm 9,4% de renováveis. “A expressiva participação da energia hidráulica e o uso representativo da biomassa na matriz energética brasileira proporcionam indicadores de emissões de CO2 bem menores do que a média mundial e dos países desenvolvidos”, diz o estudo. Entre as fontes usadas especificamente para gerar energia elétrica, 75,5% são renováveis.

No Brasil, as emissões de CO2 recuaram 4,6% em 2015, em razão da queda de 7,2% no consumo de derivados de petróleo. Entre as fontes de energia não renováveis usadas no País, a maioria refere-se a óleo (63,4%) e gás (23,3%), além de carvão, energia nuclear e gás industrial.

A oferta interna de energia no ano passado ficou 2,1% menor que a de 2014, informa a resenha. De acordo com o documento, a queda é coerente com o recuo de 3,8% na economia e teve como principais indutores as taxas negativas de 3% no consumo industrial de energia e de 2,6% no consumo de energia em transportes.

A resenha mostra ainda que 99,3% dos domicílios particulares do País tinham acesso à eletricidade no fim de 2015. Cerca de 500 mil domicílios ainda não contam com energia elétrica.

A Resenha Energética é um documento oficial elaborado pelo Ministério de Minas e Energia para divulgar os principais indicadores de desempenho do setor energético brasileiro nas áreas de petróleo, gás, bioenergia, energia elétrica, carvão mineral e setores intensivos. O levantamento de dados é feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com a participação de agentes do setor e de outros ministérios.

Com EBC | Agência Brasil

Resenha Energética Brasileira – 2015 | 2016